sábado, dezembro 31, 2005

quinta-feira, novembro 17, 2005

Para sempre.

Procuro a lua a seguir.

Não sou EU que te asseguro loucura eterna ou devoção sem fim.
É o tal anti-eu de que falava há dias. Esse, por si, sabe apenas prometer que estará sempre onde tu estiveres. À espera, entrevendo nas linhas das tuas mãos o quê de Vida que lhe roubaste.

Tenho que acordar rápido rápido deste pesadelo.
É uma corda muito grande e muito forte, aquela que me solda a ti e atarraxa a minha noite aos teus dias.

Mas antes, preciso de um ocaso.

Preciso de reciclar a bola amarela e fazer com que ela me ilumine melhor as cadeiras e os abismos e me tire do poço.

Preciso de quem me puxe e faça retornar a luz aos meus dias.

Preciso de letras que exprimam a necessidade que sinto de te não ter.

Preciso de uma faca que corte muito fundo e com grande força.

Preciso do mar, que é teu.

Preciso do ar.

Falta-me o ar.



Preciso de ti.

quarta-feira, outubro 12, 2005

Desde sempre.

Os meus dias são agora feitos de pequenas luzes que se acendem subtil e imprevisivelmente, presenteando-me com a surpresa de o tu-TU estar a dar lugar a uma doce, sublime memória de ti.

Não. Nada disto.

No meu mundo, a ubiquidade assenta-te que nem uma luva.
Até porque esta doença é crónica, sabes. Ainda que surja de mansinho e camuflada sob a forma de prurido nas entranhas do Ser, provoca danos irreparáveis e atemporais. E a pulsação acelerada é apenas o berro contido desta bomba que me come o peito de tanto bater por ti, como se estares aqui fosse função dela.

Mas sim, sim, estou bem melhor.
Ufa.

sexta-feira, setembro 30, 2005

Vendetta

As coisas que não me dizes reverterão, mais tarde, a favor de um total a pagar muito grande e volumoso.

Mas neste momento o Sol apaga-se no outro lado do globo e o céu é um negrume imenso e os meus dedos entrelaçados aquecem-me as mãos.

Estou cego, surdo e mudo de raiva.

E rogo ao Pai, se Ele existe, que me acalme esta dor e me faça ter mais olhos na nuca.
E sou gelo e peço lume numa eterna heresia.
E sinto um peso nas vísceras e um punhal cravado nas costas.
E tenho medo por ti e por mim.
E já nem sei o que dizer: a voz sai-me embargada e o pó das entranhas abafa-me o choro e enferruja-me os ossos.
E eu caio, caio, estou farto de aguentar em pé os golpes que desferes num corpo de que sentirás incomensurável falta.
E é no chão que tu me vês bem, aí dessa tua altura rasteira, mundana, presunçosa.

E não, não acredito no ar que respiro nem nessa ilusão de ti que criaste.

Agora sim, estou zangado.
Não contigo.
Mas com aquilo que me fazes.

sexta-feira, setembro 23, 2005

Adeus

A partida aproxima-se mais velozmente do que desaparece este encantamento. E a terra treme-me debaixo dos pés como que a imprecar a favor da mudança.

Ora, o que a terra ainda não percebeu só há pouco tempo se tornou certeza, para mim: tudo começou a mudar a partir do momento em que as tuas lágrimas passaram a ser as minhas. E o adeus é apenas consumação e ponto último desta história.

Espero, agora, que a distância não perdoe esta obsessão e a condene ao seu fim último; e que o tempo demore muito tempo a passar; e que o coração deixe de bater por ti; e que a dor de estares longe seja o contentamento por ter outra-qualquer-pessoa perto de mim.

Para assim parecer que não me fizeste falta nenhuma.

sábado, agosto 27, 2005

O jogo.

Sinto-me como que a perder pontos e pontos num jogo que foi inventado por mim.
Pior: constato que os perco para outra pessoa, sem que a minha omnipotência ou a minha ubiquidade iniciais tenham qualquer palavra a dizer.
Isto, claro, por uma razão muito simples: nunca existiram, aquelas duas.
Eu é que me iludi e, pretensiosamente, julguei ser meu o que nunca, mas nunca, será de ninguém. Entusiasmei-me, vê lá tu, certo, certíssimo de que o tempo estava do meu lado e me sustentava e segurava um tapete que, afinal, nunca saiu deste chão.
Enganado - como sempre, em tudo o que tenha a ver contigo.
Porém, pergunto-me a mim mesmo se o engano não será também teu; se o que eu vivo não será, até, aquilo que tu também vives. Acho mesmo que chegou o tal momento em que aquilo que sinto por ti é o mesmo que tu sentes por outra pessoa. E essa, por sinal, gosta de ti mais do que tu gostas de mim. Entendes?

E é assim que me apercebo, crua e isoladamente, de que há coisas e gente, neste mundo, com as quais eu não posso competir.

terça-feira, agosto 23, 2005

Personagem.

A alma exulta, o rosto padece.

sexta-feira, agosto 19, 2005

E só espero que a bruma dos últimos anos se desvaneça nos próximos dias.
De outro modo, nada mais se engregoujará nas profundezas deste poço.

Luz.

Sou um crente.
Em tudo e todos hei-de ousar crer,
sem saber, porém,
que no outro me desacredito de mim.
Não parto daqui:
prefiro não recordar
que mais dói crer do que amar.

E na mente tenho apenas
uma verdade ausente
que corrói e inflama
a imagem de ti.
Omites
camuflas
desmentes
como quem pede perdão
sem pensar que na voz
traz o tijolo do chão.

Mas eu creio,
acredito ser vero
e sincero
tudo o que me dizes a mim.

Porque um dia,
crendo em ti saberei
seres fiel, também tu,
a outra qualquer esperança
à dor de amar tanto
chorando
desesperando
como eu te amo a ti.

sábado, julho 30, 2005

Água

Não, não consigo dormir.
Sinto-me como se em mim habitassem todas as razões para que o Mundo seja o que é.

A Palavra não é a arma mais poderosa e primitiva que o homem possui. Antes reside a nossa força no gesto, na concretização dos pequenos pedaços de uma alma que, embora se queira nobre e idílica, não passa do ar que temos no peito e da seiva que nos corre nas veias.

É por isso que, quando falo do fio de sal que me inunda a cara e me faz acreditar que é possível o esvaimento instantâneo e sem-tempo, lamento os pretéritos desta terra e todo um provir que é triste e desde sempre esvaziado por mim mesmo.

Vícios.

Vou dormir, estou cheio de sono.

Há coisas que uma pessoa realmente não merece ouvir.

quarta-feira, julho 27, 2005

Longe.

O mar no canto de um olho que, não obstante o sorriso ou a dureza do rosto, anuncia a desolação.

Seres não tu-próprio, mas um outro qualquer em ti.

Veres a luz no meio da funesta dor. Nunca o contrário.

O silêncio como o único som audível que emana da tua voz.

Uma flecha invisível que parte e te perfura a essência, cativando-te, simplesmente.

A perenidade de um instante a atormentar-te as noites e os dias.

Seres mais grande do que pequeno e mais instável do que o lume.

Saberes que nas grandes coisas são os pequenos pormenores que fazem a diferença.

Sentires o frio que gela e faz lembrar que a agonia é puro deleite.

Estares só e ainda assim albergares o Mundo em ti.

A pontada ardente de seres o último a chegar e o primeiro a partir.


E deixares alguém à espera sem sequer te aperceberes disso.

quinta-feira, maio 12, 2005

Cacos

Sabes aquele amor que te faz esquecer a fome, não ter vontade de acompanhar o campeonato de futebol ou a tua série preferida na televisão, não ver a selecção jogar contra um dos grandes, estar longe, bem longe, naquele lugar onde só nós, aqueles cujo coração é feito de remendos, conseguimos encontrar uma réstia de paz?
Acontece-me muito ultimamente chegar ao final do dia e pensar "não, não houve hoje um único minuto em que a minha mente não tenha sido tua". E assisto, como a uma película branca e negra, à tua chama, que consome o pouco oxigénio ainda restante em mim.

Basta.

Falar de ti cansa mais do que a tua ausência.

Quem me dera poder zangar-me e, esbaforido, atrocidar-te e esquecer-te num momento, falar-te da dor e do desespero, do apego, dos grilhões que me prendem a ti. Mas não penses que fico zangado como em tempos me disseram que era possível alguém ficar, por a dor de não estares aqui ser tão intensa.
Não. Não fico simplesmente zangado ou furioso.
Mas triste.
Destroçado.
Em pedaços e cacos grandes e pequenos.

Esperando que um dia este amor deixe de ser.

segunda-feira, maio 09, 2005

Chuva

A chuva continua. Parece que veio para ficar.
Sabias que uma gota de chuva não tem a forma de gota? É esférica, segundo dizem.
Contra-senso, uma gota não ser gota. Tontice, caramba, vinha agora um físico qualquer que se dá ares de finalista dizer que uma coisa não é como a gente a vê. E a Terra... é redonda, não? Tenham paciência.
É disto que o mundo é feito: oxímoros, paradoxos, antíteses. A antítese é o meu recurso preferido, de todos aqueles que implicam contradição. Porque é também aquele que me define, num dito por não dito, uma coisa ser o seu contrário e ainda assim ambas coexistirem facilmente. O eu e o anti-eu. E claro que faz bem à alma, a contradição, porque, na procura da diferença, aproxima estas duas realidades que nutrem entre si um intrínseco relacionamento.

Rufam os tambores.
Aqui, onde o mar se espraia, os búzios cantam um hino à solidão, e as ondas nem chegam a partir, estão paradas, elas, a eternizar esta força que as manda ficar quietas. E tenho de também aquietar aquelas nuvens prenhes e escuras, e os calhaus lá ao fundo, e as pegadas na areia.
O vento corre como um louco. Sim, difundem-se as moléculas dos gases com uma facilidade medonha. E está a roupa a secar à chuva, sim senhor, que isto é preciso muita coragem para uma coisa destas.
O verde do mato como que me fere os olhos, de tão cru que é.
E poderia parar as árvores, se me aprouvesse. Mas não. Quem acenderia nelas uma nova centelha de vida? O Sol? Não, poderia pará-lo imediatamente, simples simples.

São já muitas as noites mal dormidas, as partidas sofridas, com a ideia de mudar um mundo que se quer em movimento.
Volta.
Tudo em meu redor me diz que estás sempre comigo.

sábado, maio 07, 2005

Escuro, muito escuro.

É assim, neste silêncio, que eu celebro a chegada do vento que vem do Norte e arrasa a praia. Colosso só e voraz, regurgita a fúria que tenho no nome e faz-me tremer de aguda satisfação . E é contigo que eu festejo a noite, este caldo de dor que é a tua ausência constante.
Tenho saudades do teu cheiro. Do teu rosto perfeito. Desse espelho do verde da floresta e do cinzento do mar. Dessa lua que trazes contigo e me alumia o sorriso por te ter perto. Sinto a falta dos beijos nas palavras, das horas em que o olhar vem fundo, cá dentro, e descobre o mais belo em mim. Como o relógio necessita do tempo, assim eu preciso de ti. E lá onde começa este grito em silêncio nos calabouços da alma, aí acaba o dom de estares presente.

Onde estás?

terça-feira, maio 03, 2005

Silêncio

Falta-me inspiração.
Hoje é absolutamente necessário que não haja espírito nem voz.
Estranho.
O dia até nem foi mau de todo.

segunda-feira, maio 02, 2005

Segundo

Passam as horas e os dias e eu só penso em ti, porque toda a minha natureza é feita de ti. Preenches-me os momentos vagos e os ocupados, derrota-me esta vontade de sermos só tu e eu, aqui, onde apenas essa completa unidade faz sentido. Quando estás perto, a Energia em mim é renovada, esta força que vem de dentro e que é razão para que eu te ame.
Como dói, ser este espectro alimentado por raras e fugazes visões do teu corpo e, ainda assim, eternas memórias da alma que te habita o âmago!

Eu sofro como poucos, tenho a certeza.

E desejo ardentemente que também tu, um dia, experimentes o ermo de se fazer nada pelo outro, de viver o outro na sua vontade, de ser o outro, ainda que preso no teu corpo. Percebes o que digo? Compreendes esta fenda profundíssima que me abriste no tino e me faz andar ao sabor da tua maré, crendo num silêncio gritante que será possível, um dia, não apenas eu ser tu, mas também tu estares em mim?
Complicadinho, não achas?

É, eu sou assim.

domingo, maio 01, 2005

Há tempos ouvia alguém dizer: «sou como a noite». E num repente me apercebi de que também eu, quando quero, sou noite. Uma noite fria, escura, feita de grande nada e pequenas coisas. Mas sei também que nem tudo é negro e vazio, e o Sol nasce sempre no dia seguinte, e a dor pode transformar-se em múltiplas ressurreições.

É a moda, ter um blog. Pois que seja. Que mal há na moda e nessa necessidade de se ser mais parecido do que diverso? E aqui está o meu, o meu blog, ínfimo contributo nessa dimensão cósmica que a Internet assume.

Será feito de palavras corridas e ligeiras, macambúzias, exultantes, perenes e cortantes, despidas, presunçosas, pretensiosas, pretas e corrosivas, corroídas e doentes, subreptícias, efémeras, belas e compostas, alegres, dormentes, vermelhas, azuis como o mar, luminosas, basta de adjectivos, caramba, que isto nunca mais acaba, e serve o nome para definir a palavra, a palavra é substantivo.

Será também construído de silêncios e devaneio, uma carta que começa hoje e que intende reflectir este rubor fervente que há em mim e que é um sentimento de ti.

"É tempo de ser". Era o que faltava, se o não fosse.