Sabes aquele amor que te faz esquecer a fome, não ter vontade de acompanhar o campeonato de futebol ou a tua série preferida na televisão, não ver a selecção jogar contra um dos grandes, estar longe, bem longe, naquele lugar onde só nós, aqueles cujo coração é feito de remendos, conseguimos encontrar uma réstia de paz?
Acontece-me muito ultimamente chegar ao final do dia e pensar "não, não houve hoje um único minuto em que a minha mente não tenha sido tua". E assisto, como a uma película branca e negra, à tua chama, que consome o pouco oxigénio ainda restante em mim.
Basta.
Falar de ti cansa mais do que a tua ausência.
Quem me dera poder zangar-me e, esbaforido, atrocidar-te e esquecer-te num momento, falar-te da dor e do desespero, do apego, dos grilhões que me prendem a ti. Mas não penses que fico zangado como em tempos me disseram que era possível alguém ficar, por a dor de não estares aqui ser tão intensa.
Não. Não fico simplesmente zangado ou furioso.
Mas triste.
Destroçado.
Em pedaços e cacos grandes e pequenos.
Esperando que um dia este amor deixe de ser.
quinta-feira, maio 12, 2005
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