Segunda-feira, Maio 09, 2005

Chuva

A chuva continua. Parece que veio para ficar.
Sabias que uma gota de chuva não tem a forma de gota? É esférica, segundo dizem.
Contra-senso, uma gota não ser gota. Tontice, caramba, vinha agora um físico qualquer que se dá ares de finalista dizer que uma coisa não é como a gente a vê. E a Terra... é redonda, não? Tenham paciência.
É disto que o mundo é feito: oxímoros, paradoxos, antíteses. A antítese é o meu recurso preferido, de todos aqueles que implicam contradição. Porque é também aquele que me define, num dito por não dito, uma coisa ser o seu contrário e ainda assim ambas coexistirem facilmente. O eu e o anti-eu. E claro que faz bem à alma, a contradição, porque, na procura da diferença, aproxima estas duas realidades que nutrem entre si um intrínseco relacionamento.

Rufam os tambores.
Aqui, onde o mar se espraia, os búzios cantam um hino à solidão, e as ondas nem chegam a partir, estão paradas, elas, a eternizar esta força que as manda ficar quietas. E tenho de também aquietar aquelas nuvens prenhes e escuras, e os calhaus lá ao fundo, e as pegadas na areia.
O vento corre como um louco. Sim, difundem-se as moléculas dos gases com uma facilidade medonha. E está a roupa a secar à chuva, sim senhor, que isto é preciso muita coragem para uma coisa destas.
O verde do mato como que me fere os olhos, de tão cru que é.
E poderia parar as árvores, se me aprouvesse. Mas não. Quem acenderia nelas uma nova centelha de vida? O Sol? Não, poderia pará-lo imediatamente, simples simples.

São já muitas as noites mal dormidas, as partidas sofridas, com a ideia de mudar um mundo que se quer em movimento.
Volta.
Tudo em meu redor me diz que estás sempre comigo.

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