segunda-feira, maio 02, 2005

Segundo

Passam as horas e os dias e eu só penso em ti, porque toda a minha natureza é feita de ti. Preenches-me os momentos vagos e os ocupados, derrota-me esta vontade de sermos só tu e eu, aqui, onde apenas essa completa unidade faz sentido. Quando estás perto, a Energia em mim é renovada, esta força que vem de dentro e que é razão para que eu te ame.
Como dói, ser este espectro alimentado por raras e fugazes visões do teu corpo e, ainda assim, eternas memórias da alma que te habita o âmago!

Eu sofro como poucos, tenho a certeza.

E desejo ardentemente que também tu, um dia, experimentes o ermo de se fazer nada pelo outro, de viver o outro na sua vontade, de ser o outro, ainda que preso no teu corpo. Percebes o que digo? Compreendes esta fenda profundíssima que me abriste no tino e me faz andar ao sabor da tua maré, crendo num silêncio gritante que será possível, um dia, não apenas eu ser tu, mas também tu estares em mim?
Complicadinho, não achas?

É, eu sou assim.

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