Há tempos ouvia alguém dizer: «sou como a noite». E num repente me apercebi de que também eu, quando quero, sou noite. Uma noite fria, escura, feita de grande nada e pequenas coisas. Mas sei também que nem tudo é negro e vazio, e o Sol nasce sempre no dia seguinte, e a dor pode transformar-se em múltiplas ressurreições.
É a moda, ter um blog. Pois que seja. Que mal há na moda e nessa necessidade de se ser mais parecido do que diverso? E aqui está o meu, o meu blog, ínfimo contributo nessa dimensão cósmica que a Internet assume.
Será feito de palavras corridas e ligeiras, macambúzias, exultantes, perenes e cortantes, despidas, presunçosas, pretensiosas, pretas e corrosivas, corroídas e doentes, subreptícias, efémeras, belas e compostas, alegres, dormentes, vermelhas, azuis como o mar, luminosas, basta de adjectivos, caramba, que isto nunca mais acaba, e serve o nome para definir a palavra, a palavra é substantivo.
Será também construído de silêncios e devaneio, uma carta que começa hoje e que intende reflectir este rubor fervente que há em mim e que é um sentimento de ti.
"É tempo de ser". Era o que faltava, se o não fosse.
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