Quarta-feira, Julho 27, 2005

Longe.

O mar no canto de um olho que, não obstante o sorriso ou a dureza do rosto, anuncia a desolação.

Seres não tu-próprio, mas um outro qualquer em ti.

Veres a luz no meio da funesta dor. Nunca o contrário.

O silêncio como o único som audível que emana da tua voz.

Uma flecha invisível que parte e te perfura a essência, cativando-te, simplesmente.

A perenidade de um instante a atormentar-te as noites e os dias.

Seres mais grande do que pequeno e mais instável do que o lume.

Saberes que nas grandes coisas são os pequenos pormenores que fazem a diferença.

Sentires o frio que gela e faz lembrar que a agonia é puro deleite.

Estares só e ainda assim albergares o Mundo em ti.

A pontada ardente de seres o último a chegar e o primeiro a partir.


E deixares alguém à espera sem sequer te aperceberes disso.

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