O mar no canto de um olho que, não obstante o sorriso ou a dureza do rosto, anuncia a desolação.
Seres não tu-próprio, mas um outro qualquer em ti.
Veres a luz no meio da funesta dor. Nunca o contrário.
O silêncio como o único som audível que emana da tua voz.
Uma flecha invisível que parte e te perfura a essência, cativando-te, simplesmente.
A perenidade de um instante a atormentar-te as noites e os dias.
Seres mais grande do que pequeno e mais instável do que o lume.
Saberes que nas grandes coisas são os pequenos pormenores que fazem a diferença.
Sentires o frio que gela e faz lembrar que a agonia é puro deleite.
Estares só e ainda assim albergares o Mundo em ti.
A pontada ardente de seres o último a chegar e o primeiro a partir.
E deixares alguém à espera sem sequer te aperceberes disso.
Quarta-feira, Julho 27, 2005
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