Sexta-feira, Setembro 30, 2005

Vendetta

As coisas que não me dizes reverterão, mais tarde, a favor de um total a pagar muito grande e volumoso.

Mas neste momento o Sol apaga-se no outro lado do globo e o céu é um negrume imenso e os meus dedos entrelaçados aquecem-me as mãos.

Estou cego, surdo e mudo de raiva.

E rogo ao Pai, se Ele existe, que me acalme esta dor e me faça ter mais olhos na nuca.
E sou gelo e peço lume numa eterna heresia.
E sinto um peso nas vísceras e um punhal cravado nas costas.
E tenho medo por ti e por mim.
E já nem sei o que dizer: a voz sai-me embargada e o pó das entranhas abafa-me o choro e enferruja-me os ossos.
E eu caio, caio, estou farto de aguentar em pé os golpes que desferes num corpo de que sentirás incomensurável falta.
E é no chão que tu me vês bem, aí dessa tua altura rasteira, mundana, presunçosa.

E não, não acredito no ar que respiro nem nessa ilusão de ti que criaste.

Agora sim, estou zangado.
Não contigo.
Mas com aquilo que me fazes.

Sexta-feira, Setembro 23, 2005

Adeus

A partida aproxima-se mais velozmente do que desaparece este encantamento. E a terra treme-me debaixo dos pés como que a imprecar a favor da mudança.

Ora, o que a terra ainda não percebeu só há pouco tempo se tornou certeza, para mim: tudo começou a mudar a partir do momento em que as tuas lágrimas passaram a ser as minhas. E o adeus é apenas consumação e ponto último desta história.

Espero, agora, que a distância não perdoe esta obsessão e a condene ao seu fim último; e que o tempo demore muito tempo a passar; e que o coração deixe de bater por ti; e que a dor de estares longe seja o contentamento por ter outra-qualquer-pessoa perto de mim.

Para assim parecer que não me fizeste falta nenhuma.