Sábado, Agosto 27, 2005

O jogo.

Sinto-me como que a perder pontos e pontos num jogo que foi inventado por mim.
Pior: constato que os perco para outra pessoa, sem que a minha omnipotência ou a minha ubiquidade iniciais tenham qualquer palavra a dizer.
Isto, claro, por uma razão muito simples: nunca existiram, aquelas duas.
Eu é que me iludi e, pretensiosamente, julguei ser meu o que nunca, mas nunca, será de ninguém. Entusiasmei-me, vê lá tu, certo, certíssimo de que o tempo estava do meu lado e me sustentava e segurava um tapete que, afinal, nunca saiu deste chão.
Enganado - como sempre, em tudo o que tenha a ver contigo.
Porém, pergunto-me a mim mesmo se o engano não será também teu; se o que eu vivo não será, até, aquilo que tu também vives. Acho mesmo que chegou o tal momento em que aquilo que sinto por ti é o mesmo que tu sentes por outra pessoa. E essa, por sinal, gosta de ti mais do que tu gostas de mim. Entendes?

E é assim que me apercebo, crua e isoladamente, de que há coisas e gente, neste mundo, com as quais eu não posso competir.

Terça-feira, Agosto 23, 2005

Personagem.

A alma exulta, o rosto padece.

Sexta-feira, Agosto 19, 2005

E só espero que a bruma dos últimos anos se desvaneça nos próximos dias.
De outro modo, nada mais se engregoujará nas profundezas deste poço.

Luz.

Sou um crente.
Em tudo e todos hei-de ousar crer,
sem saber, porém,
que no outro me desacredito de mim.
Não parto daqui:
prefiro não recordar
que mais dói crer do que amar.

E na mente tenho apenas
uma verdade ausente
que corrói e inflama
a imagem de ti.
Omites
camuflas
desmentes
como quem pede perdão
sem pensar que na voz
traz o tijolo do chão.

Mas eu creio,
acredito ser vero
e sincero
tudo o que me dizes a mim.

Porque um dia,
crendo em ti saberei
seres fiel, também tu,
a outra qualquer esperança
à dor de amar tanto
chorando
desesperando
como eu te amo a ti.